INSENSATO CORAÇÃO
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Sina
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Ano novo
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Deixo a porta aberta
não há trancas, não há nó.
Meu caminho descoberto
telhado de vidro e pó.
Que venha alguma alegria
que chegue nova paixão.
O passado é roupa velha
que não nos serve mais não.
Deixo a cancela entreaberta
que venha nova estação.
Minha alma anda deserta
e não quer mais solidão.
Que entre um novo sentimento
pela janela do coração.
E que seja,cada movimento
o alimento da emoção.
Marilia Abduani

Saúde e sorte
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Luz do sol
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Mais um dia
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

CASULO
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
O portal da vida
abre um tempo novo
casulo que se rompe
ave que sai do ovo.
O portal da vida
abre as janelas da frente
de onde se avista o tempo
fugindo placidamente.
Marilia Abduani

Por amor
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

CASCATA
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Amor e perdão
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Música: Hermambrix

PARTITURA
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Semente
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
e no dorso de um cavalo atravesso a plantação.
E pego a enxada, laço o touro mais valente,
o meu grão, minha semente
derramada pelo chão.
Enquanto o orvalho molha a terra concebida
cá na roça é dura a lida, sol rebate sem perdão.
Até o sêmen da saudade adormece
no acalanto de uma prece
que desponta da canção.
Aqui na roça
boi é rei, é garantia,
nossa lei, nossa valia,
o direito de viver.
E a gente sua na labuta que é difícil
o suor é o nosso ofício
no galope de colher.
E Deus compensa devolvendo, então, pra gente,
o que brota da semente,
tão bonita a plantação.
Até parece que mais cedo raia o dia,
passarada e poesia
vão ciscando pelo chão.
Marilia Abduani

Lamento triste
domingo, 19 de dezembro de 2010
A voz emudeceu.
Um resto de canção
no tempo se perdeu.
Ficou o teu olhar assim
espalhando em nós a solidão.
Ficou todo o sentimento,
a dor e o lamento
no coração.
E o que era primavera já não é.
A luz que antes havia jaz no breu
que levou o teu luar,
e as estrelas que eu contar
são espelhos dos olhos teus.
Até sempre,
não há nenhum adeus.
As lembrançãs, essas nunca passarão.
Os meus sonhos vão além
a saudade vem e vai.
E hoje eu ouço as lições
que um dia ouvi do meu pai.
E hoje eu canto as canções
que um dia me ensinou o meu pai.
Marilia Abduani

Memória
domingo, 19 de dezembro de 2010
É o que o tempo diz.
A solidão de nós dois:
íntima flor de raiz.
Ausente a estrela morria
no céu de paisagem torta.
a antiga dor se escondia
por sob a paisagem morta.
Agora já é depois
no coração aprendiz.
Eu vivo do que passou,
perdidamente feliz.
Tremem meus olhos ao vento
por tudo o que eu fui e sou.
memória que não se cansa,
histórias de quem amou.
Marilia Abduani

Meada
domingo, 19 de dezembro de 2010
em unissono entoam
as cigarras pela noite
os passarinhos que voam
Salivo o teu nome e engulo
as tuas palavras frias
à deriva, bem distantes
da minha alma vazia.
O canto que eu não esqueço
transborda em prantos, no nada.
O oculto, o meu avesso,
é o fio dessa meada.
Estranho canto que inflama
e faz eclodir a serpente,
a fera que em mim debanda
livre, de vez, da corrente.
Seriam laços desfeitos
flores e dores em mim.
Cores e mares da vida,
esse oceano sem fim.
Marilia Abduani

Lira
sábado, 11 de dezembro de 2010
e tudo o que respira
vai falar de amor.
E vai soprar mais forte o vento
e todo sentimento vai brotar em flor.
Agora vai chegar do norte
a a canção mais forte
harmonia e som.
E a vida vai se abrir num canto
não haverá pranto.
Rima em qualquer tom.
Agora não haverá noite
mas nenhuma morte
nesse nosso olhar.
Um novo tempo principia,
a vinda do dia
vai anunciar.
Que a vida sempre é renovada
pela luz benvinda
do amanhecer.
Há sempre nova primavera
Uma nova era
linda de viver.
Marilia Abduani

Vinho e mel
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
na taça o teu vinho e mel
Que dorme em tua cama
estrela sou em teu céu.
A mesma que guarda o dia
na mala do teu brilhar
Iluminando a alegria
se a noite quiser ficar.
Eu sou o abraço perfeito
a superfície da lua.
a água e o fogo em meu peito
lampejo que perpetua.
Na terra, sombra ou no rio
meus passos germinarão
No peito, diversas vezes
a mesma e velha emoção
Marilia Abduani

Jasmim
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
no cheiro de jasmim
no vento que soprar
nos sons da natureza
a vida põe a mesa
quem quiser, é só chegar.
O vento sopra a dor
a chuva jorra, em flor,
a nos purificar.
As plantas orvalhadas
a terra abençoada
pra colher, é só plantar.
Solte a voz, abra um sorriso,
faça amor, sempre é preciso.
Sua fé traça o destino
e aonde você for
no frio ou no calor,
faça a vida revirar de tanto amor.
Ser o que sempre quis
o fruto ea raiz.
descansar o coração, viver em paz.
ser feliz
e nada mais.
Marilia Abduani

Prenúncio
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
insista...
invista...
vá fundo na paixão.
Você tem que esquecer o que passou
a fila
não para
na estrada da razão.
Se quiser acender de novo o amor.
o jogo...
o fogo...
o sangue em combustão.
Derreter a geleira que restou.
A raiva só sara
no amor em comunhão.
Abra a janela
destrave a porta.
Pela cancela há de chegar
um novo dia
que prenuncia:
o que tiver de ser
será.
Marilia Abduani

Nós.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
corpo e alma, amor e mente
na corrente da emoção.
Somos hoje duas mãos que se procuram
dois corpos que se misturam
nas linhas do coração.
Somos hoje a ilusão mais colorida
a união de duas vidas
numa mesma direção
Corpo e alma que se encontram de repente
feito o campo e a semente
pra formar a plantação.
Como pássaros que ao retornar ao ninho
deixam o canto no aminho
pra espantar a solidão.
E assim seguimos nós na mesma estrada
e a paz tão procurada
nos servindo de faróis
Somos nós o tempo, o vento, a estrela guia
na mais doce calmaria
no aconchego dos lençóis.
Somos nós a parte de uma outra parte
juntos, somos bem mais fortes,
infinitamente mais.
Fomos feitos um pro outro, na medida,
dois destinos numa vida
tão perfeitos, tão iguais.
Somos feitos um pro outro, andorinhas,
que não voam mais sozinhas
e que estão na vida, em paz.
MARILIA ABDUANI

RENDA DO DIA
domingo, 5 de dezembro de 2010

SONORIDADE
domingo, 5 de dezembro de 2010
perfura a verdade
desperta o ciúme
penetra a saudade
Emerge da alma
goteja em desejo
Dilui o remanso
que antecede o beijo
Estranha palavra
sombria, indolente,
ecoa na noite,
estrela cadente.
Prateada palavra
oblíqua, incolor,
retina do sonho
nos olhos do amor.

Guarida
domingo, 5 de dezembro de 2010
tire da rosa o espinho
Tantas lições nos ensinam
as pedras pelo caminho
Cada tropeço é uma escola
cada aconchego é um carinho
Não fuja ou pise na bola
não seja triste e sozinho.
Beba do leite da vida
viva do que semeou
Ao que virá, dê guarida
esqueça o que já passou.
Seja o seu melhor amigo
o amor não pode ferir
Seu coração é o abrigo,
caminho certo a seguir.
E se algum dia, quem sabe,
a noite eterna surgir
bem cedo o dia se abre
há novo sol a se abrir.
Nova estação já vem vindo
sempre há o milagre da flor
que se renova nos campos,
na primavera do amor.
Marilia Abduani

Ferro e sal
domingo, 5 de dezembro de 2010
A alma vive tão rente
dentro do ócio da vida
crepúsculo reluzente
lambendo as velhas feridas.
O horizonte se estende
além do vácuo das horas
Meu coração é o vento
é nuvem que vai-se embora.
Do abstrato do medo
talhado a ferro e sal,
escorre pelos meus dedos´
a água mais natural.
E lava a única estrela
fluída na escuridão.
Meu coração é o tempo
e o tempo é o meu coração.
Marilia Abduani

Reverso
domingo, 5 de dezembro de 2010
A dor deste amor mendiga
o reverso da medalha
um refrão do infinito
o azinhavre na navalha.
Somático desabrigo
na fraga do meu segredo.
Eterna neurastenia
personagem do meu medo
O terror do desengano
A secreção do meu drama
A névoa em minha poesia
nos arremates da trama.
A sanguessuga em meu beijo,
cilada imperceptível.
na cama, o meu desejo,
na alquimia impossível.
O nó cego na esperança
o medo me faz tão só.
As grades em meu avesso
gorgulhos de sonho em pó.
O vírus em meus sentidos
enrijece a luz do dia.
Há mais valia na noite
que borda a melancolia
Marilia Abduani

Quadrante
domingo, 5 de dezembro de 2010
Tudo pode acontecer
o canto inesperado
os lábios secos, sem beijos,
um naco de amor guardado.
Num baú a nossa história
adormece sem pecado.
Tudo se pode esquecer
o terror do descaminho
a ânsia do vôo alçado
as pedras, o andar sozinho.
O vale dos desenganos,
a ave que perde o ninho.
Tudo se pode querer
a voz de ouro liberta
a sábia mão da ternura,
deixa a porta entreaberta.
Quadrante de sol a pino
na tênue casa deserta.
Tudo pode enternecer
todo o profundo instante,
o meu interno oceano
corta a linha do horizonte.
E no porão da memória
meu passado itinerante.
Marilia Abduani

Voragem
terça-feira, 16 de novembro de 2010

Galope
terça-feira, 16 de novembro de 2010
no galope da ansiedade
pelas campinas cavalgo
campeio essa liberdade.
Aspiro com impaciência
o odor da mocidade
no cio ,sem estridência,
perfume da insanidade.
O sol ocluso me guarda
engedra pra eu me safar
aspira a minha linguagem
decifra o meu relinchar.
A noite, sombra profana,
me beija pra eu me acalmar.
O casco em meu orgulho
o cisto dentro do olhar.
Nos campos de luz me deito
a revelia do medo
no galopar do destino
eu busco o meu sol mais cedo
Cavalo forte e arredio
sem rédeas, divina tez,
alado, por ter vivido
e morrido mais de uma vez.
Marilia Abduani

Estações
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Ainda verão parece
na primavera do mundo
Saudade que não se esquece
no inverno, um suspiro fundo.
Por todo o sonho perdido
lembranças do que passou
O outono brota sem frutos
semente que não vingou.
Ainda verão parece
no tempo doido a escorrer
dos dedos da nossa história
na solidão do querer
As quatro estações da vida
sopraram nossa canção
saudade que não se mede
no escuro do coração.
Marilia Abduani

Um par de asas tristes.
domingo, 7 de novembro de 2010
Uma menina sonhava
poder tocar o arco-íris
e sentir as suas cores.
Ela, em sonhos, voava.
Em pensamentos, saltava,
por entre jardins e flores.
De carona num tapete
cruzava o azul celeste,
parecia primaveraa.
E todo o céu clareava,
a vida se iluminava
pela luz que vinha dela.
E ela subia, subia...
com um pássaro parecia
pelo azul do céu brilhante.
Sete cores ela via.
Uma estrela lhe sorria
na magia do instante.
A menina, iluminada,
só queria do arco-íris
um novelinho de cores.
Para bordar um vestido
lindo, multicolorido,
estampadinho de flores.
E foi subindo, subindo,
cruzando nuvens e o vento
a balançar seus cabelos
num compasso morno e lento.
Quase roçava o novelo,
firme em seu pensamento.
A natureza entendia
o desejo da menina
que andava suja, rasgada,
ruminando a sua sina.
E que sonhava, em segredo,
nos becos e nas esquinas.
O Arco-íris, comovido
pela luz que vinha dela
um novelo deu-lhe, então.
E além de bordar-lhe um vestido,
com as cores pintou "AMOR"
dentro do seu coração.
E a menina, que era triste,
ficou multicolorida.
radiante feito flor.
Nunca mais ficou na esquina
porque virou borboleta.
Voou...voou...voou...
Marilia Abduani.
Para Sara.

Serenatas
sábado, 6 de novembro de 2010
Eu ouço as canções antigas
de quando criança ainda,
acordes da madrugada
enchiam os meus ouvidos.
Canções serenas e lindas.
A lua por companhia
na quietude da praça.
Só vozes e instrumentos,
ao mais leve movimento,
enchiam a vida de graça.
Em meus olhos a harmonia
brilhava a cada cantiga.
Os dedos que dedilhavam
o violão que desfiava
a ternura eterna e antiga.
E até que o dia raiasse,
as vozes e a melodia
anunciando a manhã.
O desafio do pranto.
Hoje não há mais canto
na saudade temporã.
Marilia Abduani

RUMORES
sábado, 6 de novembro de 2010
No mais profundo silêncio
o espírito e o coração.
A glândula da alegria
outro universo recria
no êxtase da emoção.
Estilhaça a hora morta,
grita, canta, rejubila,
na perpetuação do vento,
nos sulcos do sentimento
a alma leve e tranquila.
No mais perfeito momento
resta o suspiro fundo.
Todo o instante paralisa
ao doce beijo da brisa.
Cessam os rumores do mundo.
Marilia Abduani

Maresia
sábado, 6 de novembro de 2010
Acalentar o mistério
afogar-me em maresia
a angústia da saudade
no improviso do meu dia.
O gemido, o orgasmo
da manhã que principia.
Prematura realidade
arremedo de alegria.
Só quem colhe a tempestade
sabe a voz da calmaria
e no tom da ansiedade
vence a farpa da alegria.
No bojo da eternidade
o beijo da ventania.
Pelo seio da verdade
jorra o sêmen da poesia.
Marilia Abduani

O que busca por deserto
sábado, 6 de novembro de 2010
O que busca por deserto
não conhece a noite fria,
não sabe o caminho certo
que chega ao raiar o dia.
Reconhece a realidade
da voz da monotonia
a angústia do céu coberto
por estrelas da agonia.
O que busca por deserto
só acerta a sintonia
das ondas sonoras do tempo
cruzando a estrada fria.
Amarga a sua saudade,
o peso da nostalgia.
O agreste da tempestade
de suas noites vazias.
O que busca por deserto
sonha na noite sombria.
Corpo despido e inerte
no lençol da zombaria.
Fustiga a serenidade
onde a aurora reluzia
suspensa na eternidade
sem o verbo da alegria.
O que busca por deserto
viaja na ventania
reescreve a sua história
pelas mãos da letargia.
Não pressente a claridade
por onde o amor fremia.
O que busca por deserto
migalha a vida vazia.
Marilia Abduani

DESERTO
sábado, 6 de novembro de 2010
Sobre a liquidez do mundo
eu adormeço e desperto.
Sou o meu navio sem rumo
nas águas do mar deserto
As estrelas que eu persigo
cochilam no céu aberto.
Na eterna noite vazia
jaz o meu sonho incerto.
Sobre a palidez da alma
a dispersa realidade
de seguir assim a esmo
nos atalhos da verdade.
Viver não tem meio termo
Cai o sol e já é tarde.
Marilia Abduani

Torrente
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Desencantar o mistério
da calmaria do mar,
da boca da maré-cheia,
dos fragmentos de areia
no ventre virgem do olhar.
Desenrolar o novelo
do sol a se declinar.
Sentir o beijo das águas,
torrente de dor e mágoa,
em meu barco a naufragar.
Tocar o céu da montanha,
como um pássaro voar...
Ser da sombra a claridade,
e da mentira a verdade
ser para a noite o luar.
Tecer as teias da vida
com as linhas do perdão.
Bordar de azul a esperança,
cerzir de luz a aliança
entre a loucura e a razão.
Marilia Abduani- 5 de nov de 2010

Balaio
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Não busques o teu silêncio
no som das minhas palavras.
O que eu digo, o vento leva,
o meu pranto, o tempo lava.
Não me peças o que eu não tenho.
É tão pouco o que eu necessito:
um canto, uma flor, um beijo,
um verso que for bonito.
Não leias a minha vida
no livro dos teus desejos.
O que eu pressinto, eu desvio,
e fujo, se amor não vejo.
Não desfaças a tua mala,
o tempo é de despedida.
De teu caminho sem volta
não enchas a minha vida.
Não guardes a tua infância
em meu balaio invisível.
Retorna ao teu berço e canta
o teu sonho intransponível.
Guardes apenas nos olhos
o meu olhar obscuro,
ao poder do que não creio,
à sombra do que eu procuro.
Marilia Abduani- 5 de nov 2010

Retalhos
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
A alma passeia o tempo
suspenso entre o que virá
e o que já passou com o vento
ou com a solidão do mar.
Com as linhas do sentimento
costuro a imaginação
artéria do pensamento
pulsando no coração.
Retalhos da noite longa
estendidos sobre o chão.
Eu durmo sobre os anseios
meus versos me cobrirão.
Marilia Abduani

Conchas
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Nas conchas das minhas mãos
uma rosa indefinível,
a brisa silvestre, o perfume,
a relva de luz no quintal.
As noites brancas de lua,
vagido que vem da rua,
as nuvens rubras de sal.
Uma aurora raiada
um clarão abrindo o escuro.
Todo o desenho das flores
na aquarela do jardim.
Nas rendas que o amor tecia
do azul do mar exauria
um oceano sem fim.
Nas conchas das minhas mãos
um rio sem travessia.
Um cardume de esperança
luzindo em meio ao mar.
Nas ondas , meu corpo é bruma,
imponderável espuma
nas conchas de todo o olhar.
Marilia Abduani

Infância
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Do tempo de criança só ficou saudade
e nacos de esperança que a infância traz.
O aroma doce e virgem da manhã raiada
O vento em meu rosto e toda a passarada
cabelo em desalinho ,eu tinha o pé na estrada
tinha fruta no pé, flores, canaviais.
O meu pai na batalha pra educar os filhos.
A mãe, casa e cozinha ou costurando em paz.
A velha melodia que inda bem conheço
nas noites de verão o violão, o apreço
seriam laços fortes desfazendo o avesso
o desatar de tudo que a idade faz.
O fio da meada trouxe um estranho canto.
Pelo vazio em mim estou despida e só.
Saliva o meu orgulho fustigando a sorte
distante e a deriva debandou meu norte
Ao descerrar ao sonho e fugir da morte
cessa o fluir do tempo e tudo vira pó.
Passou o tempo
Calou o violão.
Todo o sentimento
Da vida me restaram pucos fragmentos
Sou um potro galopando a minha
solidão.
Marilia Abduani

Cantar
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Quem quiser ouvir meu canto acrescente um verso.
Que rascunhe o meu compasso, faça o amor rimar.
Que atravesse a madrugada e durma de manhã.
A noite só termina quando clarear.
Quem quiser cantar comigo crie um tom a mais.
O refrão fica mais lindo e fácil de aprender.
O estribilho vem do encanto que a verdade traz
O tom da poesia pra quem nela crer.
Cante mais com o coração
deixe o amor iluminar.
Invisível, a tua canção
é o teu sonho a se realizar.
Marilia Abduani

Herança
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
A vida chega e passa apenas num segundo
E a barra do mundo é pra se segurar.
Apenas um sussurro,um suspiro fundo
no peito uma saudade teimo, em vão, guardar.
Eu deixo a minha infância em um baú guardado.
Abro ,de vez em quando, pra me resguardar
das velhas cicatrizes, da pele marcada,
da mesma antiga estrada por atravessar.
Viver é isso aí.
Há o tempo de chorar e de sorrir.
Viver é isso aí
Há o tempo de chegar e o de partir.
Eu deixo aos meus filhos o futuro ao lado
verdade inteira e todo o sabor de amar..
A luz que vem do sonho, do prazer sonhado
a garra, a vida, a força para se lutar.
A vida se reflete em nós a cada dia
no brilho que inda houver em flor a vicejar.
Na música, na flora , fauna e poesia
na mágica do dia que só quer raiar.
Viver é isso aí.
Há o tempo de chorar e de sorrir.
Viver é isso aí.
Há o tempo de chegar e o de partir.
Marilia Abduani

Luz e tom
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Há quem queira ser
uma nota só.
Tom do amor em dó
nó no coração.
Quem não queira ver
desta vida o sal
entre o bem e o mal
luz sem direção
Mas há quem queira ter
a rima nas mãos
ser a criação
harmonia em ré.
Quem queira ser sol
do vento a lição
de soprar em mi
e de ouvir em lá
a nova canção.
Marilia Abduani

Mosaico
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Há primavera no outono
e geleira no verão.
Há a amplidão na saudade.
Nas nuvens febris da tarde
O contorno da solidão.
O dia engolindo estrelas,
asas sonhadas ao vento.
As fissuras se desfazem
Distâncias que já não trazem
a expressão do sentimento.
Os sonhos toscos de barro
moldados pelo desejo
são pura arte estendida
na terra exata e bendita,
mosaicos de luz e beijo.
Polvilha o orvalho a alma,
tatua a flor a alegria.
Réstias de sol estendidas
nuances de nossas vidas,
desfecho de mais um dia.
Marilia Abduani

Lâmina
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Quero animar a esperança
desalojar a incerteza.
Agonizar o meu medo
fertilizar meus segredos
restilhas de chama acesa.
A lâmina na esperança
separa o tempo sem lua
do tempo sem vento quente
antagonia presente
no espanto que vem da rua.
No incinerar da vingança
pauto o meu sexto sentido.
O tato do meu destino
a força do sol a pino
no calor do meu ouvido
Sinto o exato silêncio
das horas perenizadas.
vestígios de amor e gesto
e de meus rastros impressos
escombros de mim: mais nada.
Marilia Abduani

RAIZ
sábado, 30 de outubro de 2010
O tempo passa enquanto o verde se derrama
e faz a cama para a vida respirar.
E passarinhos anunciam que o dia chama
pra ser feliz e ser raiz a despertar.
O tempo para e a natureza silencia
numa magia que faz tudo levitar.
O vento varre a solidão e a nostalgia
e só poesia faz o corpo respirar.
Uma lagoa pra nadar todo o cansaço
num só compasso a vida se refaz em flor.
A terra e o céu unem o mundo num abraço
e todo espaço canta e a vida canta o amor.
Marilia Abduani

Harmonia
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
A noite adormece sem usuras
a lua iluminando os sonhos meus.
A nossa história simples, sem rasuras,
lacunas que a verdade preencheu.
E, sem ferrugem, brilha o horizonte,
o céu em harmonia de néon
é beijo cristalino, água da fonte,
prenúncio, calmaria, tempo bom.
Na pauta dos meus olhos a alegria
sem dores, desconheço solidão.
Amor eu sou, a luz da estrela é minha,
meu canto no vislumbre do perdão.
A recriar do tempo a paz me ensina.
A alma se refaz em inspiração.
É a calma que transforma a vida em rima
no enlace da poesia e da canção.
E assim o mundo segue o seu compasso,
meus passos vão trilhando o amanhecer,
unindo o universo num abraço:
o orgasmo silencioso de viver.
Marilia Abduani-LETRA
Marcus viana-MÚSICA

Floração
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
A tua língua lambe a linha do horizonte
no contorno da saudade e sedução.
Pereniza o meu prazer e todo o instante,
aguça e atiça toda a criação.
Reescreve a geometria do universo
dilata a pupila da canção.
concebe sinfonias, rimas, versos,
antecipa dentro em mim a floração.
A tua boca mastiga o que eu vislumbro
converte em claridade a escuridão
a tua mão apalpa o meu ciúme
transforma o que é rascunho em inspiração.
E por tuas veredas, que são tantas,
teu rastro cede rumo à lassidão.
Gesto e tato ao alcance do meu faro.
Teu corpo faz de mim constelação.
Marilia Abduani

Descompasso
terça-feira, 21 de setembro de 2010
A salmoura da saudade
solta um fio de esperança.
O novelo da ansiedade
no desenlace da infância.
Desnudam lagos e rios
meu tempo é de navagar
por rumos,novos desvios,
espasmos de luz no olhar.
A boca da liberdade
libera o pólen da vida
alimenta a claridade,
semente de luz vestida.
Destrava as portas antigas
retona do breu e aflora.
A vida passa tão breve
no descompasso das horas.
Marilia Abduani

Nostalgia
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
A alma desgarrada
circula doidamente
por onde o foge o rio
por onde dorme o dia
na nostalgia presente.
No ocre do caminho
a rosa inquieta jaz.
Cores desconhecidas
calma desvalida
andrógino frio mordaz.
Teias de aranha no teto
cobrem o baço caminho
por onde o sono lateja
por onde transpiram, gotejam
lágrimas, sangue e vinho.
Todo o suor derramado
desce , espesso e quente
por onde a esperança some
por onde a boca da noite
mastiga a sede e a fome.
Marilia Abduani

Reticências.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Logo serão reticências
essas usuras da alma,
os açoites de corrente,
o vento lambendo os dentes
da terra estorricada.
Abduzida, a saudade,
bola de fogo ardente,
nos sustenidos da noite
estremunhando a mente.
Logo serão reticências
os olhares impassíveis
a negra semeadura
da alma, o incesto e a loucura
dos muros intransponíveis.
Entrecortada a verdade,
ave de asas quebradas,
enternecida se parte:
rastilho de eternidade.
Marilia Abduani

Anseio
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
A paz que me cabe é pouca.
A luz que me guia é baça.
A voz que me fala é rouca.
O chão que me prende é incerto
A minha alegria, rasa,
Meus braços, pó do deserto.
Meu grito, anseio guardado.
Nen quente nem frio, é morno
o meu coração decepado.
Marilia Abduani

Limpeza
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Enquanto dispara o tempo
faço uma limpeza em meu interior
As mechas do sentimento
mostram o que fui e o que ainda sou.
No cofre do pensamento
guardo as saudades do que eu amei.
As marcas todas deixadas
na estrada por onde andei.
Enquanto dispara o tempo
faço reflexos na emoção
e faço caras e bocas
para fugir desta solidão.
As rugas são só cansaço
mas os meus sonhos ainda vão
por entre mechas, reflexos,
colorindo o meu coração
Marilia Abduani

Viagem
terça-feira, 31 de agosto de 2010
O eixo do esquecimento
segura a barra do dia.
O gesto e o sentimento
girando na ventania.
Beijos de lua clara,
grão de areia no sal.
E assim meu sonho viaja
a espera do ato final.
O eixo do pensamento
distante do que não vejo,
carente do que não sabe
descrente do que não vejo.
O medo se agarra às pedras
a procura de um caminho.
O espinho não fere a rosa
nem foge a ave do ninho.
O eixo tosco da vida
é que move a nossa coragem
e molda o nosso destino
pelo prazer da viagem.
A névoa me acaricia
e move a minha canoa.
O eixo da poesia
me guia, é livre e voa.
Marilia Abduani
música:Claudio Chaves

Crepúsculo
domingo, 29 de agosto de 2010
No atar do verso
a formação do poema.
O crepúsculo beija as pedras
abre portas,
e entra em nós.
Esperança frágil, dispersa.
O rio de palavras escorre e lava as ruas.
A grande noite acena
e seca a primeira lágrima.
É quando rompem-se os espinhos do tempo.
A poesia desata-se da rosa e enfeita o chão
por onde os nossos olhos fogem...
por onde os os nossos passos vão.
Marilia Abduani

Bruma
domingo, 29 de agosto de 2010
Eu me desenho oceano
nas marés intransponíveis
no prazer inesgotável
de viver e de cantar.
Eu me reservo sonho
e me descubro gigante.
Reluzente diamante
fertilizando o luar
Eu me descrevo leque
que abre-se : bruma leve
lenço bordado ao ar.
Equilibrando o meu tempo
no fio do pensamento
num raio de luz solar.
Eu me sublimo na espera
de pressentidas estrelas
riscando a inércia das horas.
É quando a noite fenece
na nostalgia sem prece.
A alma,súbita, aflora.
Marilia Abduani

Espelho do tempo
domingo, 29 de agosto de 2010
O espelho do tempo
mostra marcas e rugas,
apascenta as dores que pairam sobre as nossas cabeças.
O canal do tempo
indica um mundo novo, digere a ansiedade, adormece a fome,
desce as escadas.
O tempo é névoa que nos toca, circunda e acaricia.É indócil como o soluço,
imponderável como o mar.
Traz em seu dorso o mormaço, desafina o instrumento do espírito, a tudo cicatriza.
O espelho do tempo parte-se, esfacala-se
e paralisa.
Marilia Abduani

Rima
sábado, 28 de agosto de 2010
O amor é um caso sério
nos faz rir e faz chorar
Leva ao céu ou leva ao inferno
faz morrer e faz sonhar.
Às vezes é sol ardente
em outras, escuridão.
E , entre razão e mente
fica o nosso coração.
O amor é um caso sério
é partir e é chegar.
Envolto em véu de mistério
ninguém pode decifrar.
É poeira em mão de vento
não se sabe a duração.
Nos resta ouvir o tempo
e a voz do coraçaõ.
De repente a gente fala
coisas que não quer dizer.
Se a palavra sai da boca
não há como desfazer.
Tudo passa tudo é sonho
a saudade nos ensina
Quando acaba um grande amor
o que fica é " raiva ou rima".
Marilia Abduani

O amor
sábado, 28 de agosto de 2010
O amor é poema e canto
que segue aonde leva o tempo.
É vela que não se apaga,
enquanto não sopra o vento.
É fruta madura e doce
no fundo lá do quintal.
É fonte, água de mina,
é o ouro do milharal.
O amor é chama que arde,
é sombra pra descansar.
É beijo de uma criança,
é rio que encontra o mar.
É ave que volta ao ninho
carinho, afago, aliança.
O amor é a artéria da vida
no coração da esperança.
Marilia Abduani

AVISO
sábado, 28 de agosto de 2010
Não desfaça a mala,
não despreze o tempo.
Limpe a sua sala,
pinte o pensamento.
Seja a ave rara,
a flor mais perfeita,.
o luar aclara:
deixe a cama feita.
Viva com cuidado
beba a sua dor.
Coma do que crê
e do que semeou.
Não apague o verso
que o amor criou.
Vire-se do avesso,
colha o que restou.
Faça agora um filho
descortine o olhar
Escreva o seu livro
A hora é de plantar.
Deixe a casa limpa
para o amor entrar.
Aja como um rio
(mesmo em seus desvios)
sempre dá no mar.
Marilia Abduani

Alma
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Lava incandescente
iluminando a estrada
O primeiro grito
verdadeiro anseio
rosa destilada.
Os primeiros raios
de um sol novo, ardente,
derradeiro gesto
fogo fátuo, incesto,
só o olhar pressente.
Contador de estrelas
e de sóis distantes
no rege da vida
entre a flor e o riso,
beijos esboçados,
bocas delirantes.
No jardim prsente
rosas sonolentas,
pétalas caídas
onde o rio foge,
calmo,doce e quente.
Alma desgarrada
na noite velada
preguiçosa(mente).
Marilia Abduani

Viço
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Eu me sinto um pássaro
de plumagem leve
que revoa em torno
do teu corpo breve.
Que me chega e some
num piscar de horas.
Impensado facho,
horizonte aberto,
sol que vai-se embora.
Eu me sinto um polvo
entre mil abraços,
masturbando a noite
que se faz gigante,
que se torna amante
entre a paz e o açoite.
Como o tempo e o espaço
deglutindo a flora
que a ternura viça,
sou calor e frio,
às vezes, mormaço,
areia movediça.
Eu me sinto um pássaro
livre em mãos do vento
que a saudade atiça.
Marilia Abduani

Ave
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Meu peito de ave
revoa em volta do teu beijo e mel.
É água de fonte, é fruta madura,
veloz carrossel.
Meu corpo deslisa
nas malhas da brisa, num fio de ar.
Arame farpado, o corte na veia, a ferida do mar.
Voa, coração,
cruza o céu azul do olhar.
Ave, solidão,
longe do ninho a voar.
Meu faro de fera
na caça, na espreita do sangue a verter..
Atiça o teu sonho, pressente o teu cheiro
até te prender.
Nas águas do pranto
eu lavo o meu canto e o que planto é amor.
A fonte da vida, jorrando semente
benvinda, em flor.
Marilia Abduani

Lua minguante
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Dourado minuto
sutil e fugaz
secretos anseios
sidéreo receio
onde a lua jaz.
Não murches, ó Lua,
que a minha alma leve
descortina nua
pela noite breve.
Rarefeita Lua
pelo céu passeia,
mingua pelo espaço
reluzente e cheia.
Lua do meu canto,
ou do meu pranto, talvez,
lá no céu ainda brilha:
serenata, amor e lira,
rejuvenescida tez.
Marilia Abduani

Regaço
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Em noites de lua
estrelas, quebrantos,
a esperança renasce.
Ao cair da noite
os sonhos refazem
a monotonia.
Nos umbrais do sono
prantos esquivos
banham de vida
a nossa alegria.
Carícias cintilam
às margens do escuro
suores desfazem
cruentos açoites.
Saudade dispersa,
lembranças cadentes
renegando a morte
violando o muro.
No regaço do tempo
adormece a hora
que só desintegra
quando a vinda do dia
leva a noite embora.
Marilia Abduani

Sinfonia da Mata.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
A noite era escura
sem lua no céu.
de uma nuvem grossa
descia um véu.
Eram gotas, mil gotas
fazendo escarcéu.
Silêncio na mata.
Toró, toró se ouvia.
E, tamanho toró...
que agonia.
Porém, logo após
o tremendo toró
ouviu-se um som
que fazia assim:
tum tum tum
Da boca do sapo
ouviu-se um coaxo.
Se foi música, não sei.
Mas bem que eu acho
se fazendo de rei
rei do contrabaixo.
E, junto com ele,
outro aprendiz
esfregava as pernas,
alege, feliz.
Roça daqui,
roça de lá
saiu novo som:
Era o grilo Clarim
crim crim crim crim.
Debaixo da folha,
no galho agarrada,
ouviu-se um gemido
ou uma grande risada.
Esta não fumou
pelo fôlego se percebe.
Não conto o tempo
com medo que erre.
Só sei que demora
o som que ela faz.
É um violino
para a frente e para trás.
Sei que ela gosta
de tocar guitarra
que lembra o seu nome,
pequena cigarra.
siiiiiiiiiiiii siiiiiiiiiiiiiiii
Do alto da árvore
a maestrina vaia,
não perde a pose
nem foge da raia.
Girando o pescoço
para tudo ver
ela, que não sabe,
só quer aprender
a contar: um, três, dois,
sem deixar para depois.
Como não acerta,
emite um pio,
um seco etampido
que dá calafrio.
Pobre coruja,
dona do saber,
Fugiu da escola
sem nunca aprender.
umm umm umm
Tocando tuba
a velha coruja
logo se enturma.
O mestre carpinteiro,
roedor de primeira,
batendo com o rabo
completa a zoeira
É tum tum tum
Tá tá tá
que ecoa na mata
para tudo escutar.
O castor da batera
de noite e de dia.
Roendo as árvores
toca bateria.
Tô fraco, tô fraco
sendo assim, vou-me embora,
abria o bico a bela senhora.
Como cantora eu sou um fiasco
Da Áfica eu vim
nos tempos de outrora.
Não sabem quem sou?
Muito bem, ora ,ora,
não veem que eu
sou galinha da Angola?
Sou lisa, roliça,
sem braços nem dedos.
Muito venenosa
isso não é segredo.
Sem mão, não carrego
os meus penduricalhos
mas trago comigo
um lindo chocalho.
No silêncio da noite
causo tremelique.
a quem quer que ouça
o meu chique chique.
xii xii xii
Uh Uh Uh Ah Ah Ah
acordado, o macaco,
esperto que é,
gritou sorridente
de orelha em pé.
Pulou pelos galhos, pelos seus cipós,
a contar para os seus:
Não estamos sós.
Vários pontinhos de luz a piscar
fizeram a noite
toda clarear.
Eram vagalumes , os lanternas da mata,
a iluminar a bela serenata.
Aos pares dançavam os velhos casais
espalhando flores pelo matagais.
Dizia assustada a boa tartaruga:
Nunca dancei com alguém como tu.
Sem saber que, enamorada,
ela bailava com o mestre tatu.
-Sozinho não fico. Disse o tamanduá.
jogando o seu charme
para a cheirosa gambá.
Esta, a princípio, se queixou do fato,
mas quem não tem cão, dança com gato.
Tocando trombeta, de cbeça para baixo,
piscava o morcego para a aranha vizinha
Esta, no entanto, fitava a joaninha
que aos berros cantava para Dom Mosquito
um back vocal um tanto esquisito
Zzzzzzzzzzzzz Zzzzzzzzzzzzzzzzz.
Houve dança do vento com a brisa,
e pelas folhas, o orvalho serenou.
O Rio Claro, cristalino em sua ida,
aguava a terra, terra esta que brotou.
A noite escura então se findou
quando, lá no céu, a lua pintou
trazendo consigo estrelas mil,
formando um palco para o cantoril
A velha orquestra, linda, reunida,
cantava de tudo
em louvor à vida.
José Renato de Souza Abduani, meu maninho.

Fuga
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Fujo do frio que em meus olhos arde
o cansaço contínuo, a perene solidão.
De meu sol que não rebrilha, do furor de cada tarde,
no tremor que me assassina, no tocar de outra emoção.
Sou centelha, sou vertígem, o reverso da miragem
o poder que me orienta é uma obscena paixão.
Não há fogo que me aqueça na geleira do caminho
Não há abraço, não há vinho que me aqueça o coração.
Não há mão, que ao tocar, me descubra no abandono
ou carinho que comova, no breve tocar do beijo.
A estrela que me guia é a que antecede o sono
nos instantes de emoção, no milagre do desejo.
Quero tudo e quero nada que ameace o meu sossego
no enlace de um segundo mais uma nova cicatriz
Quem revive a sós comigo? Eu me fiz meu inimigo?
Que nó cego no que invento jamais me deixa feliz?
Fujo do engasgo que me morde a mente
Da indivisível semente, do infecundo perdão
que recolhe os meus pedaços triturados por mil dentes,
o meu sangue, antes quente, se faz extinto vulcão.
Fujo da treva que me faz demente
do meu beijo de serpente ,da inevitável dor.
O cavalo que anda em mim fareja o teu suor quente
Não há fé que me oriente nos labirintos do amor.
Marilia Abduani

Entrelinhas
domingo, 15 de agosto de 2010
Abro as porteiras do dia
que entre a alegria,
que brote a canção.
As entrelinhas do tempo
saudades varrendo
do meu coração.
Beijo suave acalanta
a paz que levanta
e renasce do chão.
Corre nas veis da estrada
as águas jorradas
lavando o perdão.
Marilia Abduani

Ave
domingo, 15 de agosto de 2010
Só por teus olhos afloram
violetas na janela.
Flores simples nas varandas
a rima mais doce e bela.
Todo o segredo do sonho
que só o poeta desvenda.
Os versos entrelaçados
em meio ao lençol de renda.
Fere o tempo a madrugada
de beijos não consumados,
de peles desencontradas
carinhos descompassados.
Só por teus beijos sou flora
no orgasmo dos jardins.
Aninhada em teus braços
a ave que mora em mim.
Marilia Abduani- Letra
André Maria. Música

Veia
domingo, 15 de agosto de 2010
Canto sereno do mundo
corta caminho no ar.
No desafio do tempo
no curso do vento
que beija, ao soprar.
Canto pequeno da vida
faz nossa alma sonhar.
Na relva doce e macia
o peito desfia
as contas do mar.
Clarão de lua cheia
aquece sem mesmo tocar.
Facho que a tudo incendeia´
é fogo na veia
artéria do olhar.
Marilia Abduani

Luz e luar
domingo, 15 de agosto de 2010
Quero ser rio que canta
manhã que desponta
cigarra a gritar.
As enxurradas de estrelas
cadentes que dançam
e se perdem no olhar.
Quero ser sonho e esperança
eterna criança
que o amor desenhar.
Rosa plantada em varandas
cantiga e ciranda
ser luz e luar.
Quero uma chuva de prata
jorrando na mata
molhando a canção.
A melodia e a prece
que acalma, enternece
e aquece o perdão.
Quero a certeza mais clara,
a fruta mais rara
que já se provou.
Quero a ternura guardada
no seio da estrada,
no ventre do amor.
Marilia Abduani

Antes que seja tarde - Letra: Marilia Abduani - Música e Interpretação: Marcus Viana
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Antes que seja tarde
(Letra: Marília Abduani – Música e Interpretação: Marcus Viana
Antes que seja tarde
ponha o seu trem nos trilhos
plante árvore,faça um filho
rompa o hímen do perdão
desfaça as portas da aurora
engula o que lhe devora
Antes que seja tarde
desate o seu coração
Antes que seja tarde
desperte a sua coragem
pinte as novas cores desta paisagem
abra o teu peito em flor
ame, cante, beba um vinho
polinize o teu caminho
Antes que seja tarde
seja sonho e,seja amor.
Antes que seja tarde
afine o teu instrumento
aprenda a lição do vento
que toca sem machucar
Antes que seja tarde
renasça da tua história
o passado é só memória
a vida é pra se cantar.
Antes que seja tarde
escreva a tua poesia
o sol nasce a cada dia
sempre chega outro verão.
Antes que seja tarde
do ventre da madrugada
desponta, radiante, a estrada
que leva ao teu coração.

Nó
sábado, 7 de agosto de 2010
Escuto o cantar do galo
abrir as portas do dia.
À revelia amanhece
em mim, a antiga alegria.
Um vento bom sopra leve,
mas uma rosa se despe
e a passarada espia.
Meu coração abre os olhos.
Lacrimeja a minha infância,
lembrança de pura luz:
o meu tempo de criança.
Aspiro o ar da saudade,
toda a antiga liberdade
que a velhice não alcança.
O que não tenho ainda aflora
em mim,como antigamente.
A mãe, café e fogão,
o pai, a voz, o violão,
a lua das noites quentes.
O sonho, o verso e a canção
num jogo de amor e mente.
Hoje, oxida a alma
no corpo já velho e só.
O cansaço vence a calma,
a nódoa do esquecimento
transformando o ouro em pó.
Um fio de pensamento
ata as migalhas do tempo
na teia do mesmo nó.
Marilia Abduani

Enseada
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Plante no ventre do sol
uma enseada de amor
apalpe a vida ao redor
viva do que semeou.
A dor talhada no sal
nuvem esparsa levou.
Há ainda um pote de mel,
no campo ainda há uma flor.
Há sempre um raio de luz
onde reina a escuridão.
Se um amor não conduz,
outros amores virão.
Sonhe nos braços da paz
aninhe o seu coração.
A vida sempre refaz
o som de uma nova canção.
Marilia Abduani

Relance
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Ontem, eu te amei para o amanhã;
Hoje, eu disse isto? me pergunto;
Palavras ditas são sentimentos.
Ir além, ter mais assunto, é uma cilada,
porém prefiro, não retiro o que ontem pensei.
Hoje não sinto, amanhã talvez.
Depende deste instante: ou me prenda, sem correntes, em teu peito,
ou me leve no caminho. Sigo adiante.
O meu olhar, agora em ti, não penetra o desejo,
ele te toca e esmiuça a pó e assim se refaz.
Ontem te vi, e no relance, fiz brotar para o amanhã algo melhor que o algo mais.
Hoje, porém, algo me diz, não germinou.
Restou o leito feito vaso sem a flor,
restou a sede, a fome o cio para o depois;
Sou artesã e te preciso pó, nas mãos.
Refaço a ti e me refaço para nós dois.
Hoje!

Interior.
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Quando a tarde desce
pela praça antiga
corações se abrem
o descanso acorda
a canção amiga.
Abre-se a cortina
a noite apresenta
uma peça altiva
cada vez mais viva
é memória intensa.
Os casais nas ruas
moças nas janelas
flores nas varandas
a visão tão bela.
Monótonos dias
mas ternos e quentes.
pelo ar poesia
pelo chão sementes.
Aqui no meu canto
é mais rara a vida
é menor o medo
sonha-se acordado
amores guardados
por tantos segredos.
galos anunciam
as manhãs que nascem
pássaros nos fios
em sons que renascem.
Lua de aconchego
pela madrugada
brilha mais bonita
ilumina e aquece
toda a nossa estrada.
Marilia Abduani

Assim seja.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Que seja a nossa história
a cada dia a rima, o som
nas entrelinhas da memória
prenúncios de tempo bom.
Que seja clara como o dia
lenda ou cantiga de todo prazer
Uma porta sempre aberta
ao sonho que quer nascer.
Silenciosa como o vento
apaziguando a nossa solidão.
Que seja corpo e movimento
nas páginas do coração.
Que seja a nossa história
manhã de luz , o ouro do verão.
confirmada em seu segredo
pelo arrepio ,corpo e sedução.
Que seja como a primavera
que se renova a cada estação,
que faça em nós dormir a fera,
que seja o tempo e a dimensão.
Que seja a nossa história
eternizada por momentos bons.
Acordes de uma melodia
uma poesia que virou canção.
Marilia Abduani

Luz do dia
domingo, 11 de julho de 2010
Era noite sem luz
sem estrela ou clarão
uma enseada e segredo
No peito a certeza
da antiga lição
A vida só pulsa no claro do dia
nas flores, no vento, cabelo arrepia
fantasmas rondando as melhores visões
E um grito de amor
do peito ecoou
A noite carrega o medo, a noite rosa perdida
É medo, angústia e morte
O dia nos traz a vida
Pranto, frio, assombração
pelas janelas vejo
passos andam no porão
eterno do meu desejo
solto a voz e da garganta
um grito, um apelo sai
Luz do dia vem e aflora
a tristeza arde e vai-se embora
o sol canta amor e paz.
Marilia Abduani

Natureza
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Olhando o céu que se estende
além das fronteiras do olhar
é sonho que se apresenta
é pleno pra se sonhar.
viçam por lá claras nuvens
formam desenhos e vão
cruzando o azul infinito
deixam em nós o clarão.
Olhando o mar que oferece
as águas , o amor e sal
o verde que espalha e tece
a essência mais natural.
É cio que já não cessa
presságios de tempo bom
Lavando as dores do mundo
nas ondas da imensidão.
Olhando a terra bendita
a natureza sem fim
o fruto, a raiz a semente
as flores lá no jardim.
É fácil entender a vida
Paisagem ,visão do amor
o nosso bem natural
nosso leito protetor.
Marilia Abduani

Luz e sal
quinta-feira, 8 de julho de 2010
que adoça o seu paladar.
Sou água de fonte, sou sombra
gostosa pro teu descansar.
Eu sou o teu orvalho, sou vento
o pólen do tempo
eu sou teu luar.
A chuva que escorre por dentro
do teu pensamento
e deságua no olhar.
Eu sou a semente mais rara
que brota em teu quintal
o sol que aquece e aclara
a terra de luz e sal
Eu sou os retalhos da vida
a colcha mais linda
que o amor costurou.
O acorde do teu instrumento
as cifras e letras
que o sonho inspirou.
Marilia Abduani

- Amar é
quarta-feira, 7 de julho de 2010
O doce mistério de tocar o céu, o sol ,as nuvens.
É o mágico sentimento que nos faz dançar sem motivos,ao som das batidas do nosso coração.
É fecundar de orvalho as flores.
É ansiar pela noite e sentir o toque silencioso da brisa.
É admirar o pássaro em seu voas rasteiro e tranaquilo, orquestrando o céu com o seu canto.
É escrever poesias,procurar ouro no fim do arco-íris,encantar-se com a estrela que cai no escuro.
É acreditar que o futuro é agora e que o sonho é real.
É encantar-se com o entardecer, pintar o mundo com as cores da esperança.
É não ouvir a voz da razão.Amar é o exercício do perdão, do ciúme, da paciência, do medo, da saudade e da euforia.
É encantar-se com o outro e ver nele o seu complemento.
É a conjugaçaõ de todos os verbos, é transpirar poesias,codificar olhares,degustar o tempo.
Amar é o que faz a vida valer a pena.
Marilia Abduani

Fruta doce
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Meu coração adormece
entre a esperança e o espanto
As vezes dorme e esquece
ás vezes deságua em pranto
O meu coração parece
que é fruta doce e macia
só de tua boca carece
sabor que atiça e vicia
Meu coração de criança
que o tempo não fez crescer
brinca, ainda roda e dança
ciranda do bem querer.
Marilia Abduani

Carícia
domingo, 20 de junho de 2010
Ainda verão prece
nas malícias das manhãs.
Romaria, amor e prece
fluido que passa e aquece
suor de febre terçã.
Coberto de muitas flores
o jardim do nosso dia.
Da fruta a carícia, o beijo,
na textura do desejo
que, tão de leve, arrepia.
Ainda verão parece
no solo fértil, profundo.
Sonho tempera a esperança
lá fora a ternura dança
a primavera do mundo.
Marilia Abduani

Flora
domingo, 20 de junho de 2010
Poética flora
aflora em meu canto
refaz a poesia
madura e macia:
alado acalanto.
Marilia Abduani

Quando o amor chegar
domingo, 20 de junho de 2010
Quando o amor chegar
atravessando o medo
reabrindo portas
refazendo a aorta
farejando o dia
pleno de segredos.
Quando o amor pulsar
recompondo o canto
lua cintilante
campo verdejante
alma em poesia
regaço, acalanto
Quando o amor entrar
vencendo o temor
alma e sentimento
som e movimento
flor da alegria
mansidão e amor.
Marilia Abduani

Lampejo
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Sonha meu coração
inspiração e canto
Que venha o cheiro da terra
o tímido vento da noite
que faz a emoção brotar.
Sombra de orvalho manso.
O véu de nuvens encobre
a plenitude do mundo
poder mágico e profundo
em seu silente clarão.
Sonhos e sons pela noite
doce murmúrio de fonte
lampeja em meu coração.
Marilia Abduani

Terra
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Na terra sedenta
a água se deita
refaz a paisagem
doçura e coragem
a vida se enfeita.
No solo inclemente
renovadas flores
natureza canta
nossa terra santa
ávida de amores.
Bordas da floresta
céu e mar são lendas.
Coração do mundo
verde da esperança
colorindo a vida
em seu suspiro fundo.
Pelo chão sedento
o pulsar da vida
escorre pela serra.
Unicamente sonho
fêmea, mãe bendita,
cosmicamente Terra.
Marilia Abduani

Desejo
quinta-feira, 17 de junho de 2010
No escuro quarto
a sua ausência nua
a dor se insinua
latejante e fria.
Meu desejo aflora
a saudade aperta
o corpo balbucia:
-Solidão deserta.
Sonha o coração
solto o pensamento
voa a minha alma
nas asas do vento.
Pelo céu da noite
uma estrela ainda
Sempre há um novo dia
o sol jamais se finda.
Faço da verdade
lira, verso e rima
Se houver esperança
o amor não termina.
Marilia Abduani

Âncoras
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Vejo a noite definhando
cerro os olhos, vejo o cais
fantasmas engolem medos
ventania, temporal.
Eu recolho a tempestade
e dela crio o meu mar.
No barquinho da saudade
deixo o corpo naufragar.
Não há tormenta que afunde
nem calmaria ou luar
o meu barco de esperanças
velejando no sonhar.
As âncoras da coragem
no fundo das águas claras
somente serão jogadas
no bojo do teu olhar.
Marilia Abduani

Clamores
quinta-feira, 17 de junho de 2010
O sonho passa voando
por uma clave de sol.
Húmus fecundo pulsando
no ventre da terra em nós.
A fixidez do destino
jaz no breu como um farol.
Chove inércia, eco ao longe,
tranquilo, exato e amante,
A noite-leque e lençol.
Serena, lúcida e leve
a corrente do amor nos ata,
Há em nós tanto silêncio
calma de beijo que mata.
Rio sem sombra d'água
desmesurados desvios.
Clamores da natureza
tremores e calafrios.
Soluçam meus versos na noite
vegetal: agreste o frio.
Marilia Abduani

Chove
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Desbotada nuvem
paira simplesmente
tímida se encolhe
desata-se em pranto:
chove mansamente.
Marilia Abduani

Malícia
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Carne acesa, vida nua,
travosa malícia eterniza
o passado de dor e brisa
a dor que é minha e que é sua.
A flor doce do desejo
no porto do mar nasceu
o sol a traçou de beijos
como, ás vezes beijamos
o sonho que floresceu.
Com uma gota de esperança
emite um canto e descansa
sem rumor, meu coração.
Um sopro de fauna e flora
até onde a vista alcança
no agreste da amplidão.
Marilia Abduani

Poesia e canção
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Voa o tempo enquanto eu vejo
a vida passar por mim
a fruta no pé
a bola, o porão,
o pique lá no jardim.
Roubado o primeiro beijo,
o abraço gostoso assim.
Poesia e canção,
amor e paixão,
saudade que não tem fim.
O tempo escorre entre os dedos,
passa e não volta mais.
Saudade é tudo o que fica
depois que o tempo se vai.
No álbum dos meus
segredos
eterna recordação.
Perfume, odor,
um resto de flor,
o frio da solidão.
E, quanto mais foge o tempo,
no vento leve a correr,
o sonho, a emoção,
o plano, a lição.
É tempo de envelhecer.
Marilia Abduani

Paisagem
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Eu salto a ponte da vida
até onde o rio some.
Leito de barro e areia
o meu coração passeia.
Soluço de frio e fome.
Vou pela antiga paisagem
desfiar o meu destino
o húmus da liberdade
ao sol fremente que arde
em meu coração de menino.
Seiva viva, cio manso,
enquanto a alegria grita.
No ventre da maré cheia
fecunda a flor que semeia
uma ternura infinita.
Marilia Abduani

Desejo alado
quinta-feira, 17 de junho de 2010
A vida repousa leve
bem onde o sol a tocou.
As vozes da alma entoam
canções de fauna e de flora:
o arco e a flecha do amor.
Jarro de flor na janela,
fruta doce, água da fonte,
ajardinando a cancela,
aberta, concisa e bela:
coração itinerante.
Nem o mais leve arrepio
nem a corrente de ar.
Fluído que passa frio
em constante preamar.
É alado o meu desejo,
bem na medida do além.
Voar...mais leve que o tempo
até onde a dor termine
e nuvens brancas ensinem
a lição de querer bem.
Marilia Abduani

Sonho primeiro
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Sonho primeiro
no toque das horas.
Vagido, esperança,
é inverno ainda
na boca que cala,
nos olhos que choram.
Cavalo arredio,
galopo no vento
eco e poesia
som e movimento.
Sou ave que voa,
sou flor que se entrega
ao afago do tempo,
deixo o pensamento
ir seguindo, às cegas.
Lagoa serena
na tarde morena.
Só o amor me leva.
Marilia Abduani

Encantamento
quinta-feira, 17 de junho de 2010
O vento plantou a chuva,
enxurrada acende o cio.
Fecundada toda a terra,
brotaram mares e rios.
Flauta encantada do tempo
soprou uma luz verdejante,
lá fora, a vida sorria
num arco-íris constante.
Todo o destino do mundo
no verde e no azul se deita
a alma da natureza
de universo se enfeita.
Faceira, a terra, em trejeito,
abre a janela e namora
o vento que passa leve,
o tempo que vai-se embora.
Marilia Abduani

Infância
quinta-feira, 17 de junho de 2010
A claridade do mundo
veste de sonho a esperança.
No jardim do meio-dia
minha saudade dormia.
Eu ainda era criança.

Verão
quinta-feira, 17 de junho de 2010
A noite custa a dormir
para a manhã levantar
sereno doce na espreita
enche de orvalho o ar.
Brotam sons de violinos
vindos de todo lugar
É a serenata da lua
na espera do sol chegar.
O sol, preguiçoso escuta,
escova os cabelos brilhantes,
dourados fios de ouro
cobrem o dia neste instante.
Enfim, repousada a noite,
chega a manhã. É verão.
Como o sol ou como a lua
em paz, há luz cintilante
dentro do meu coração.
Marilia Abduani

Amar
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Amar é o doce mistério de tocar o céu, as nuvens,o sol.
É o mágico sentimento que nos faz dançar sem motivo,ao som das batidas do nosso coração.
É fecundar de orvalho as flores.
É ansiar pela noite tímida e sentir o toque silencioso da brisa.
É admirar o pássaro em seu voar rasteiro e sereno,orquestrando o ar com o seu canto.
É escrever poesias, procurar ouro no fim do arco-íris,encantar-se com a estrela que cai no escuro.
Amar é gostar de inverno, verão,é crer que o futuro é agora,que a chama é eterna, que o sonho é real.
É encantar-se com o entardecer,pintar o mundo com as cores da esperança e emoldurar a coragem.
Explosão de sentimentos múltiplos,indefiníveis, insaciáveis.
É brincar com o amanhã.
Amar é ser forte e fraco ,alegre e triste, tudo e nada.
É não ouvir a voz da razão. É o renovar de primaveras.
É beber em fontes invisíveis a água da liberdade.
É a urgência de ir e de ficar.
Amar é, acima de tudo a doação, o ciúme, a paciência, a angústia,o medo, a saudade.
É encantar-se com o outro e ver nele o seu complemento.
É ser louco e ser santo.
É aprender a linguagem do silêncio, das flores, do afeto.
É o exercício do perdão.
Amar...viajar por mundos imaginários,descobrir desenhos em nuvens,tocar o infinito,debulhar a melancolia.
É a conjugação de todos os verbos,a dança de todos os ritmos,o toque de todos os instrumentos.
Amar é transpirar poesias,degustar o tempo,codificar olhares e toques.
Amar é o que faz a vida valer a pena.
Marilia Abduani

Canção
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Dança o meu corpo ao vento
como se eu fosse brisa
Navego nas mãos da aurora
e o meu corpo paralisa.
Deixo a ternura solta,
o coração desarmado,
meus passos de passarinho
no orgulho do vôo alçado.
Tranco a maldade e o medo
e engulo a chave depois.
Amarro em fios de ouro
todo encanto de nós dois.
Sonha meu corpo, sonha
nas asas da liberdade.
A alma, esta se embrenha
pelas trilhas da verdade.
Cessa a noite. Raia o dia
na mais rara claridade.
Marilia Abduani

Viagem
quarta-feira, 21 de abril de 2010
nos leva sem permissão.
Luzes no vago da porta,
por onde os anseios vão.
Persigo a aurora antiga
e a primavera também.
Mas ,eis,o outono se achega
e joga o perfume além.
O canto dos rios me guia
além, bem além da canção.
O peito se fecha de frio
na geleira da amplidão.
O pranto corrói por dentro
onde o silêncio é prisão.
sopra a saudade o vento
e orvalha o coração.
Caminhos turvos, dispersos...
meus olhos buscam visão
A caminhada se veste
de dor e de solidão.
Cessa a cantiga lá fora
emudece o violão
Resta o vazio de agora
miragem, vago clarão.
Tua presença mais terna
medra em meu peito ateu
minha ansiedade desterra
saudade no peito meu.
O encanto, o sonho se vão
no tempo que pereceu.
A noite já principia
sombra perdida no breu.
É a vida que jaz sombria:
estrela de luz sem fim
no infinito do meu tempo
que foge, escapa de mim.
Prevejo a indizível viagem
no desatar da coragem
na ausência que não tem fim.
Marilia Abduani
Para o meu pai.

Oásis
terça-feira, 20 de abril de 2010
recolha o brilho da lua,
a ponta de cada estela,
a noite é pra se sonhar.
A alma tão leve voa,
a dor a tudo perdoa,
só fica o amor a imperar.
Enquanto não raia o dia
aceite a carícia do vento,
aflore o seu sentimento,
pássaro livre a voar.
O corpo, esse desliza
óasis farto de brisa
no universo de amar.
Marilia Abduani

Flores.
terça-feira, 20 de abril de 2010
Silêncio- calada noite,
No frio do quarto, só o passar das horas
no relógio da saudade.
Lentamente a alma voa.,
atravessa paredes,
paira sobre os campos.
O sol derrama paz.
Os caminhos são flores.
Depois, a alma retorna ao corpo
e aclara o breu que encobria a esperança.
Amanhece.
Marilia Abduani

Orgia
terça-feira, 20 de abril de 2010
Chora a madrugada
a ausência fria,
a falta de abraço,
o beijo, o compasso,
frenesi, magia.
O clarão da lua
intimida a orgia
que o sonho resguarda
para a poesia.
Guardo num cadinho
a saudade aflita.
Teu suor me lambe,
teus pelos me vestem:
fico mais bonita.
Marilia Abduani

Interior
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Nos braços do vento
descansa a saudade.
A tarde abre-se.
É primavera no inverno do sentimento.
Solto as rédeas-cavalo alado-
e persigo estrelas enquanto
a noite desce.
Meu coração acalanta-se
na carícia da lua
que ilumina o meu quarto interior.
E toda melancolia adormece.
-Silêncio, amor e prece.
Marilia Abduani

Tempero
quinta-feira, 8 de abril de 2010
azeite, sal e poesia.
Mesa farta de esperanças
no frescor da tarde mansa
o correr de mais um dia.
Futuro, dourado canto,
encanto que se insinua
e reflete a luz do sonho
por onde o passado flutua.
Compasso, harmonia e dança.
E a vida continua.
Marilia Abduani - Letra
Marcus Viana - Música

Guerras
terça-feira, 6 de abril de 2010
Guerras que sangram o corpo
guerras que mordem a alma.
Vêm como fogo ao vento
queimando por dentro,
destroem toda a calma.
Fazem do amor,pesadelo,
melancolias traçadas.
Matando sonhos, desejos,
nas marcas do beijo
sinistra cilada.
Somos miséria na mesa,
veneno no sangue,
desgraça ,avareza.
Fome maior é a certeza
do fio navalha
ferida, tristeza.
Mas, eis um novo caminho
abriu-se pleno de luz.
E os anjos ,ao som dos sinos,
renovam destinos
que à paz nos conduz.
Somos o anúncio do dia,
a paz renovada,
a chegadado amor.
Abençoados os anjos
que trazem nas asas
as lições do Senhor.
Marilia Abduani

Infância
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Um cheiro de chuva
na terra molhada.
Murmúrio e prece.
O bem verdadeiro,
o canto primeiro,
saudade orvalhada.
Um gosto de fruto maduro caído
do pé da esperança.
O sonho brejeiro,
o amor verdadeiro,
perfeita aliança.
A chuva que exala
o odor da saudade
dos tempos de infância.
Marilia Abduani

Vento
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Vento que embala as flores,
acaricia as manhãs,
azeita o sonho.
Traz a cantiga da esperança,
o assovio da fé,
a candura da paz.
Vento que toca o meu ego,
acaricia o orgulho,alisa a ternura,
arranha a alma, assanha toda a minha estrutura
e me enche de manha.
Vento, beijo da vida
sopro que se refaz.
Marilia Abduani

Dor
sexta-feira, 2 de abril de 2010
A dor amplia a fé
que a conforta,
que a inibe,
que a faz menor.
A fé que vem de um coração
que sente dor
e deseja paz.
Paz é colo de mãe,
é sorriso de pai,
é pensar em Deus
e se sentir em Seus braços
com a sensação
de ainda estar no útero.
Marluce Abduani, minha irmã caçula.

Saudade
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Antecipada, a saudade
navalha no peito
que arde.
Silencia o canto,
atiça o pranto
e faz sombra em nosso vulto.
Chega sorrateira
e entra-faca certeira-
em nossa calma e poesia.
Eternizada, a saudade
ecoa na noite
que desce.
No peito o gemido,
o grito contido,
o beijo, o açoite,
o afago sem prece.
Marilia Abduani

Natureza Mãe.
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Natureza Mãe,ensine aos seus
o segredo de livre luzir.
a lição de florescer
sem destruir.
Matas,ventos, nuvens,sol e céu
chuva que desperta a plantação.
universo, terra e mar
se fartarão.
Nos caminhos toscos somos flor,
mata, cachoeira, amor, jardim.
Natureza Mãe
plante em nós o amor
e a razão
antes que a vida desfaleça
antes que o mal cresça na amplidão
e a vida chegue ao fim.
Marilia Abduani

Vou voltar
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Vou voltar
pelos mesmos caminhos
retirar os espinhos
avivar a saudade.
No seio da tarde,
reabrir as feridas
revirar minha vida
pelas mãos da verdade.
Vou voltar,
destrancar as janelas,
os portais, as tramelas,
esse muro de giz.
E a cicatriz,
que é um vírus mordente,
vou banhar de aguardente
esse mal de raiz.
Vou voltar
desatando esses nós,
e soltando esta voz
e as amarras da dor.
Vou voltar
as porteiras abertas,
as trincheiras desertas
nos atalhos do amor.
Vou voltar
procurando as verdades
não importa a saudade
que me faz solidão.
E o perdão
vai nascer do meu pranto,
explodir do meu canto
azeitar a canção.
Vou voltar
reabrindo os abraços
me embrenhar noutros braços,
e plantar nova flor.
Vou voltar
mais segura e serena
Tem que valer a pena
inventar novo amor.
Marilia Abduani

Música
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Música
O som da vida
plantado em acordes.
Toca fundo
a nossa essência.
Solta no ar,
a música atravessa fronteiras,
reabre rios, desfaz amarras,
liberta a dor.
Música...música...
raios de sol
na brancura do dia,
no pranto,no canto,
no encanto que acalma
e faz aflorar o amor.
É o sopro da alma nos olhos do sonho.
É o grito ecoando.
A música é o caminho mais seguro para o não enlouquecer.
Marilia Abduani

Lamento
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Vento brando
triste cantiga,
saudade nova,
verdade antiga.
Mergulho fundo
bendito vento
sono profundo,
triste lamento.
Tempo sombrio
pálida vida,
sopro sulcado,
voz repartida.
Frágil caminho
ganido atroz
carinho mendigo
amor movediço
flecha veloz.
Vida cigana
laço postiço
compasso demente
amargo feitiço.
Alta tensão
carinho esvaído
seara antiga
calor comovido.
Remorso abstrato
carência aprendiz
comovida tarde
doce cicatriz.
Sonho fecundo
inóspita dor.
vicejantes dias
plena poesia:
verdadeiro amor.
Marilia Abduani

Inverno
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Brancas nuvens,
dia finda.
Tímida noite,
eco e poesia,
inverno ainda.
Cavalo arredio
galope ligeiro.
Mormaço sombrio,
curto pavio
sonho primeiro.
Vagido,esperança,
ausência sulcada.
inerte distância,
vento macio,
verdade travada.
Letárgico tempo
materna esperança.
Arte, movimento,
todo pensamento,
cálida aliança.
Marilia Abduani

Orgulho
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Noite calada,
orgulho aflito.
Palavra trancada,
luz apagada,
temor infinito.
O pranto no encanto,
o enlace no medo,
verdades atadas,
saudades, segredo...
A ausência no quarto,
a cama vazia.
Nas mãos do futuro
tão oco, escuro,
repousa o meu dia.
Saudade latente,
desejo carente:
sua companhia.
Marilia Abduani

Candura
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
O instante eterniza
a mágica realidade que dança
na ventania.
Na candura das horas,
a razão pinta de arco-íris a esperança mais terna,
materna,
eterna.
No limiar do pranto,a mansidão da alma,
a mendicidade de amor.
Nuances de sonhos,de brisas,
silêncios triturados,
maturados
pela letargia do tempo.
Marilia Abduani
