A morte ronda os meus olhos.
Susto... trauma...
No limite do corpo a saúde do espírito.
O soco no estômago,
O frio do escuro.
A noite eterna em meu dia
vicia
e alinha
o tédio ao sono
e o sono ao medo.
A morte ronda o meu corpo.
E anula
o afago,
a carícia,
a delícia de sabr-me flora,
a malícia de saber-me fauna
no cio.
A agonia
cria a espera do amanhã
nos vestígios do ontem,
tão bifurcado no hoje.
No anseio da entrega
absoluta e serena,
encontro-me viva
e dona só de mim e dos meus engasgos.
O trote,
a cilada,
a voraz emboscada que inaugura os sonhos,
antes do adormecer.
Lenda viva?
Acalanto?
Onde em mim pulsa o coração?
A morte ronda os meus passos.
Desfaço
o corpo da amente
e planto-me,
do fruto a semente
esquecida sobre o chão.
Meus passos passeiam luas
no breu da escuridão.
Marilia Abduani
Limite
segunda-feira, 31 de agosto de 2009

- Revoada
sábado, 29 de agosto de 2009
Vou onde a vida leva
fugindo, às vezes de mim,
sonhos antigos carregam
as flores do meu jardim.
No portal do esquecimento
flores sofriam por mim.
Saudades, no mar navega
meu amor frágil e sem fim.
Sigo onde voa a alma
na boca, um beijo ateu.
O tempo goteja, acalma,
flecha de luz no breu.
Com o barro do esquecimento
moldei a minha antologia.
Emoção, passou o vento:
revoada de poesias.
Música: Marcus Viana
Poesia de Marilia Abduani - www.mariliaabduani.blogspot.com
Postado por Amilton Passos - www.amiltonpassos.com

Retrato
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Seu retrato-espelho do meu sono
no confronto enfraquecido do meu tempo.
No ferir do peito, a dor desse abandono
que comanda emoção e pensamento.
Que refaz no coração doce ferida
no silêncio da canção e da lembrança.
De uma essência que ensopou a nossa vida.
Estendida sob o sol, toda a esperança.
Quanto mais próximo o sonho mais é lenda
que se atrela à realidade, frágil prenda,
na saudadeque se achega- é o vento.
Como flores murchas, secas, vagam tristes,
Não há terno coração que não se renda
ao portal de amor e dor do esquecimento.
Marilia Abduani

Ausência
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
A dor amarga o sonho,
recolhe as lembranças,
decepa a esperança,
prenuncia a solidão.
Éramos o mesmo poema,
sacudíamos o mundo,
sem o tédio do descaminho,
o terror do desabrigo,
o medo da desesperança.
Éramos amor e luz.
Agora é noite.
Jaz o sol.
Cessou o cantar dos pássaros,
o soprar do vento.
A minha mão, gelada, toca o vazio.
A voz estéril da saudade dorme e acorda comigo,
enquanto o teu corpo ainda repousa em meus olhos.
Do fundo de tua ausência eu me edifico,
pálida rosa,
espalhando o teu perfume,
recebendo o teu orvalho doce, manso e silencioso.
Marilia Abduani.
À poetisa Jane Rossi.

Revoada
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Vou onde a vida leva
fugindo, às vezes de mim,
sonhos antigos carregam
as flores do meu jardim.
No portal do esquecimento
flores sofriam por mim.
Saudades, no mar navega
meu amor frágil e sem fim.
Sigo onde voa a alma
na boca, um beijo ateu.
O tempo goteja, acalma,
flecha de luz no breu.
Com o barro do esquecimento
moldei a minha antologia.
Emoção, passou o vento:
revoada de poesias.
Marilia Abduani

União
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
A mão
sozinha
não brinca,
não toca,
não produz nenhum som.
Mas, de repente,
se uma outra mão se aproxima,
e num compasso
lento e leve
tocar,
é som,
é música,é o som de uma mão
batendo em outra.
A mão
em par.
Marilia Abduani

Velha canção
terça-feira, 25 de agosto de 2009
O vento sopra no silêncio das varandas,
e o pensamento vai brincando de sonhar.
A vida passa, lembro o tempo das cirandas,
e das estrelas que eu insistia em contar.
Navega a vida num barquinho de brinquedo
que a enxurrada da idade carregou,
e o sabiá , que dedilhava em meu peito,
os sons que vinham lá do meu interior.
Vem a saudade, traz o gosto da infância.
Tantas lembranças, noites quentes, meu amor,
Eu sou o fruto, a raiz, velha criança,
que ainda acredita no milagre de uma flor.
E hoje, aqui, velha e cansada do caminho,
mãos calejadas pelo tanto que lutei,
ainda ouço as canções dos passarinhos
fazendo ninhos nos caminhos onde andei.
Vem a saudade,traz o pranto que consola,
minha viola vai espantando a solidão.
Eu sou um velho passarinho na gaiola
cantando sempre a mesma e velha canção.
Letra: Marilia Abduani
Música Marcus Viana

Passagem
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Voa a vida, pálida ou segura,
doce, amarga, leve ou não, o que isso importa?
um soprar de vento, um pulsar de brisa,
atravessa o novo sol que nos transporta
Resgatar a fé em Deus, a fé na vida,
preso o corpo, livre a alma que desliza.
O perdão, dentro de nós, se faz a porta.
O amor é esse universo de palavras
que se juntam e se derramam na amplidão.
É a força, a direção, a paisagem,
é o tempo, a poesia, a direção.
Voa a vida, como o vento leva os sonhos,
e depois, tão somente, paralisa,
adormece no jardim do coração.
Marilia Abduani

Ave noturna
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Ave noturna,sou vento que passa,
no doce bater das ondas do rio.
E, como o amor todo ódio embaça
meu corpo vai dando rasteira no frio.
Eu vou mandar esse choro pra longe
meu coração na candura do estio.
Sou como o tempo que passa e vou onde
meu corpo se esgota na força do cio.
Só levo a poeira da estrada que invento,
meu corpo me leva, pra onde eu não sei.
Coragem na mala, no peito um lamento,
Sou ave cigana, sou bicho sem lei.
Onde quer que eu ande, é só de passagem
seguindo o deserto meus pés baterão
em curvas, desvios, em nova paisagem
Eterna viagem, sinal de paixão.
Marilia Abduani

Leveza
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Livres as mãos sou vento.
No abandono do espírito, sou a leveza do voo.
Nasci da fonte, sou água serena e doce.
Caminho deixando rastros de estrelas.
Ou fogo?
Luzes nascem dos meus olhos
e criam formas nas paredes do coração.
Nesses instantes,
eu sinto que o mundo inteiro
desmaia
na palma da minha mão.
Marilia Abduani

Plantio
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Pela rua
deixo rastros.
Flores plásticas,
rosa estática
a deixar um perfume no ar.
Pálida, a lua,
se inflama e se agita.
E bem mais bonita,
desanda a brilhar.
A estrela cadente
saliente fica.
Cai, reluzente,
pra tudo enfeitar,
boneca de pano,
vestido de chita,
me faço bonita
querendo brincar.
Pela estrada
deixo traços.
cálido abraço,
sonhos mágicos
deixando um aviso a dizer:
Colha uma idéia
e solte-a, ao vento.
Ela há de dar frutos,
fartos sentimentos.
A voz da poesia
há de florescer.
Marilia Abduani

Desatino
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Inda tenho das planícies orvalhadas
o cheiro bom que me sufoca de prazer.
Inda carrego a escuridão da madrugada
da noite fria em que fiquei sem ter pra que.
Teu vulto acende a lamparina do meu medo.
Teu corpo é o leito onde se esconde o sonho meu.
Eu sei teu cheiro, teu perfume, teu tempero,
vou te buscando entre os umbrais de vários céus.
Inda tenho das montanhas reluzentes
a luz confusa que me faz estremecer.
Quero a difusa luz que nasce dos teus pelos.
Quero viver do teu abraço até morrer.
Teu sono acorda o meu cansaço em plena noite
eu sei, teu beijo é que incendeia a plantação.
Deixo meu sul pra te seguir por outros nortes
num desatino de morar na tua mão.
Marilia Abduani

Ponte
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Eu sou a semente e a poesia que borda e recria a luz do luar.
Sou parte da fauna, sou flora, sou vento e cascata, sou ave a voar.
Eu faço e desfaço o meu pranto
Meu canto te cura e te faz respirar.
Sou ponte, sou mar, cachoeira.
Sou sol, ribanceira, sou chuva a jorrar.
Desfaço as amarras e o pranto, semeio o meu canto pra ouvir teu cantar.
Meus olhos de mel e doçura são frutas maduras pro teu paladar.
Sou parte da tua verdade,
da tua saudade, dos sonhos em flor
Sou parte da tua esperança,
eterna criança, seu frio e calor.
Recolho os entulhos do vento, exalo um lamento a te surpreender.
Portal refletindo os meus olhos,
meu riso acalma a saudade a doer.
Sou parte do rio que foge pras bandas do norte
e deságua no mar.
Sou carne, sou bicho, sou gente,
sou garras e dentes, cigarra a cantar.
Marilia Abduani-Letra
Marcus Viana-Música

Tara
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Debaixo dos lençóis os corpos quentes
mas um grande abismo nos separa.
Coração- portal do corpo-amor e mente
confundem-se ao som da nossa tara.
E vai ficando indecente a minha cara
nas paredes invisíveis da loucura.
São dois corpos, um deles não tem freio
e atiça, treme, goza e sae tortura.
Somos dois corações na mesma cama
se um para, o outro se derrama,
e se espalha no colchão, triste e incerto.
Debaixo dos lençóis os nossos gritos
no orgasmo irracional e irrestrito.
Depois ca cama, o resto é só deserto.
Marilia Abduani

Evidências
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
São outras evidências que eu procuro
um salto indiável obre o muro
um grito ao vento, berro que estilhaça.
O espelho redescobre o meu assombro.
O peso do mundo sobre os ombros,
o tiro a esmo entrecortando a praça.
São outras evidências que eu componho
a mão que apaga a luz acende o sonho,
na exatidão do gesto de carinho.
O eco do meu passo imaginário,
exala, sem nenhum itinerário
na fonte do deserto em meu caminho.
São tantas evidências que eu persigo.
Meu corpo vai seguindo , a sós, comigo
suspenso num silêncio quase audível.
Que eu sinto em minha pele a eternidade.
Que a vida pulse em mim a liberdade,
seara de poesia indivisível
Marilia Abduani

Claras Minas
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Raia o sol, enquanto a lua dorme,
vem, saudade, que ainda estou de pé.
Rompe o dia, mais uma noite morre.
Vem, poesia, faça o que quiser
Clareou, outra emoção que nasce.
Nova estrada, velhas direções.
Esperança, nova fé renasce
nos quintais de tantos corações.
Pé na vida, sigo em frente.
Cada dia uma paixão.
Fé na luta, simplesmente
a riscar meu coração.
Claras minas das gerais que eu amo
água clara, cana, enxada e amor.
É o café, o feijão que vão brotando
pelas mãos desse trabalhador.
Meu suor molhando o leito
dessa terra em aflição.
As sementes do meu peito
se derramam pelo chão.
Cai o sol, a lua vem chegando
sono e frio, quero o teu calor.
Descansar meu coração sangrando
nas estrelas do teu céu de amor.
Mão na mão, vou sem receio
apertar teu corpo em mim.
E fartar-me em teus anseios
num amor que não tem fim.
Letra: Marilia Abduani
Música: Marcus Viana

Lua de Pranto
quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Faro
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Os finos dedos do tempo
apertam
todo frágil sentimento
que desponta da emoção.
Um rastro de amor goteja
do telhado da esperança.
Vista nenhuma alcança.
Segue em qualquer direção.

Avesso
terça-feira, 18 de agosto de 2009

Andança
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Para onde me leva o vento?
Pelos distantes países,
espalha velhas raízes
do coração velho e só.
Para as entranhas da sorte,
lá para as bandas do norte,
estradas de pedra e pó.
Para onde me leva o tempo?
Para oásis distantes,
para campos verdejantes,
para o futuro? Não sei.
O sonho conduz meu passo.
Saudade - um fino traço
de tudo que mais amei.
Marilia Abduani.

- Caminhos
domingo, 16 de agosto de 2009
Por tantas estradas
meu canto me guia.
Sereia na noite
vertendo poesia.
Sou anjo, sou fera
razão, sentimento.
Sou rio, cascata
de brisa e de vento.
Por tantos caminhos
meu barco navega.
Meu sonho descansa
saudade me leva.
Marilia Abduani

Semeadura
sábado, 15 de agosto de 2009

Coração menino
sábado, 15 de agosto de 2009

Antes que seja tarde
sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Metade
quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Enquanto o amor não vem
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Enquanto o amor não vem
abro as janelas,
desfaço nós,
arrumo salas e quartos,
pinto paredes,
renovo flores,
e deixo o sol entrar, tímido, manso, quente.
Enquanto o amor não vem
brinco com pássaros,
desenho nas paredes a
história dos amante,
organizo os sonhos,
fabrico poemas.
Quando o amor chegar,
estarei livre,
pronta,
a alma nas pontas dos dedos,
cruzando abismos,
poetizando o nosso caso.
Coração equilibrando-se no arame do sentimento.
Quando o amor chegar
estarei com asas,
e irei até onde soprar o vento.
Marilia Abduani.

Capim novo
quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Agora é tarde
segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Alma
sábado, 8 de agosto de 2009

Estrela cadente
sábado, 8 de agosto de 2009
Caiu uma estrela cadente,
fiz um pedido no instante.
Coração ficou silente
dentro do peito amante.
E eu fui seguindo o seu rastro,
o meu corpo iluminado
pela luz que vinha dela,
meu caminho resguardado.
Estrela, cadente estrela,
bebo a luz do teu clarão.
De longe, inda posso vê-la
luzir em meu coração.
Marilia Abduani

Espaço
sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Enigma
quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Bicho
quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Esperança
quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Em mim
quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Antologia
quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Presentes
terça-feira, 4 de agosto de 2009

Memorando
domingo, 2 de agosto de 2009

Anonimato
domingo, 2 de agosto de 2009

Ave de Arribação.
domingo, 2 de agosto de 2009
Canto pelo peito aberto,
por mim, por nós dois.
Pela ansiedade e deserto
que veio depois.
Canto pela luz do dia
que vicia a solidão.
Oela luz que me alumia
e clareia a escuridão.
Canto pela nossa valsa
tão falsa, tão vil.
Canto pelo nosso amor,
tão primeiro de abril.
Canto por tantas amarras,
tantos gritos, tantos nós.
Enforcando o que foi terno
e calando a nossa voz.

Lorena
domingo, 2 de agosto de 2009

Profecia
domingo, 2 de agosto de 2009

Luz.
domingo, 2 de agosto de 2009

Espanto
domingo, 2 de agosto de 2009

Tempo
sábado, 1 de agosto de 2009
Tempo que passa
amor que é viagem.
Alma voa,
contorna a paisagem.
Núvens e névoas
céu de cimento

Espelho
sábado, 1 de agosto de 2009
Seu espelho, retrato em meu sono,
na moldura envelhecida do meu tempo.
No ferir do peito, a dor deste abandono,
que comanda emoção e pensamento.
Que refaz no coração - doce ferida,
no silêncio, na canção e na lembrança.
de uma essência que ensopou a nossa vida.
Estendida sob o sol toda esperança.
Quanto mais próximo o sonho mais é lenda,
que se atrela à realidade, frágil prenda,
da saudade que se achega - é o vento.
Como flores murchas, secas, vagam tristes.
Não há terno coração que não se renda
ao portal de amor e dor do esquecimento.
Marilia Abduani
