Eu te devo a minha cara transparente
com a vaga precisão do que foi puro.
Eu te devo ainda um grão, uma semente
semeada pelos vales taciturnos.
Eu te devo inda um segredo, um beijo quente,
e um desejo pendurado em meus lençóis.
Eu te devo uma emboscada, uma corrente
que te prende, que te enlaça, mas não dói.
Eu te devo um testamento sobre o muro
uma cara machucada, um osso duro
tão difícil, tão nocivo em seu horror.
Eu te devo ainda uma névoa de poesia
e uma luz, plena e primeira de alegria,
eu te devo o mesmo engano e o mesmo amor.
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