Meu corpo na correnteza.
Atravesso o rio a nado.
Pesco a minha alegria
no lago de claras águas.
Uso o anzol da coragem,
voragem
que surpreende a monotonia
e faz nascer o som,
o tom,
o gingado.
Sereia, mergulho ainda mais fundo
no rio que aflora em mim.
Marilia Abduani
Correnteza
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Sol e lua
sábado, 31 de outubro de 2009
O sol,
girassol,
borda um círculo
em torno do mundo.
Toca fundo,
repassa o brilho
e desce.
Então, a lua,
sedutora se insinua
e risonha, aparece.
Em volta
num manto noturno
ornado de estrelas
o sol adormece.
O ouro da noite
cintila em sonho
ilusão e prece.
Marilia Abduani
Presente recebido de uma amiga.Letícia.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Para grande amiga, Marília Abduani.
Marília, Marília
É um som
Uma certa melodia
É pura poesia!
Marília,
Que do sonho conduz à realidade
E da realidade ao sonho...
Que lágrimas não vejo
E se existem, são diamantes.
Qual dor é a sua?
Ou onde ela se esconde?
Que não posso senti-la.
Apenas a poesia!
Marília, Marília...
Daí não sei se finge ou finjo
Se corre ou fujo
Se perto ou longe...
Quero ficar de você...
O eco da poetisa,
Por onde devo procurar?
Nem sei se quero encontrar...
Você, Marília,
Que não é de Dirceu,
Que não é Maria,
Mas, simplesmente,
Marília!
Simplesmente, poesia!
E agora, Marília?
E agora?
Que atrai e se espelha...
Se espalha e se entrega...
Marília, e agora?
Por quantas anda?Onde está?
Tão perto e tão longe...
Quais mãos a leram?
Quais olhos a tocaram?
Suas dores, (que não há)
São as minhas alegrias
São as deles também.
É poeta, poetisa, então finge
E ao fingir sente
Este vale de lágrimas.
Se é bíblica, não sei.
Se é literária,não sei
Se é profunda, eu sei.
Ou profana? Jamais!
Oh!, Marília,
Que pelo seu
me desfaço – ilha.
Mar – ilha!
Mar...ilha!
Ilha...Mar!Marília!
Eu viro e (des) viroEu faço e (des) farço
(não des-faço)
Mas você,
com seu mar,
Suas ondas a me golpear...
Minha farsa se (diz) farsa
E num instante de um traço
Nasce uma breve melodia:
Marília!
É mar...
Se é ilha...
É o fim da trilha!
É pura!
É bela!
É mar!
Não é ilha!
Apenas Marília!
Letícia Andreia 27/08/2003
Encanto
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Eu revejo a nosa história
nos becos e bares,
em tantos lugares,
nas tardes de sol.
Nas noites de chuva,
nu canto de rio,
o toque, o arrepio
por sob o lençol.
Eu revejo o nosso encanto
na aurora que encanta,
na flor que desponta,
no mundo a girar.
Na dança e poesia,
num brilho de lua,
e em mim, que fui tua,
te sinto pulsar.
Marilia Abduani
Flor da agonia
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Chove. Rompe a noite
onde o sol ardia.
Na manhã raiada,
a noite calada,
a flor da agonia.
Sonha a minha alma
o perdão desfeito,
o que foi perfeito
foi jogado ao vento.
Sopra agora o medo,
venta o meu segredo,
foi-se embora o tempo.
No lençol do dia
dorme a esperança,
a ternura mansa
ilusão e canto.
Hoje a estrada é triste,
hoje a noite insiste:
dor e desencanto.
Sofro o que não fiz,
tudo o que eu não quis,
o que não busquei.
Pelo vão da estrada
a saudade orvalha
prantos e migalhas
do que mais amei.
Letra: Marilia Abduani
Música : Marcus Viana
Rastros
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Estradas que longe levam
antes do dia raiar,
pelos caminhos que medram
ante os limites do mar.
Têm pedras, rios e amores,
solidão e ventania.
Arco-íris, sonhos, flores,
poeiras e calmarias.
Estradas que sempre levam
furacões e quietudes
pelos frescores do dia
soprando pela amplitude.
Longas estradas da vida,
por onde os amores vão.
Ficam os nosos rastros.
Estradas passarão.
Marilia Abduani
Adolescência
Flore no caminho
rosas sem espinhos
rebrilhar do sol.
Estrelas transparentes,
borboletas, passarinhos,
arco-íris, girassol.
Árvore de esperança,
brincadeiras de criança,
mistérios do anoitecer.
Poesias, passos de dança,
desfios, alianças,
cantigas de adolescer.
Asas agitadas,
almas irisadas,
chuvas de verão.
Portas destrancadas,
as manhãs raiadas,
o mundo nas mãos.
Primavera renovada,
sonho, flor, amor, perdão.
Marilia Abduani
Monotonia
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Brancas nuvens
moinho sem vento,
folhas secas,
frio e lamento.
Verso impedido,
desesperança,
beijo partido,
passo sem dança.
Monótonos dias,
paisagem morta,
luar sem poesia,
futuro sem porta.
Capim sufocado,
trilha perdida,
desejo castrado,
estrela caída.
Monótona sombra
esquecida no breu,
asa quebrada,
o peito ateu.
Flor desfolhada
ao bafejo do vento
não mais floresceu.
Marilia Abduani
- Conflito
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
A vida é sempre um renovar constante
de primavera, sonho e sentimento.
É calor que se refaz a cada instante
é arte, som ,amor e movimento
É mar confuso, às vezes, calmaria,
onde o humano coração flutua.
e vai bordando, dentro em nós, melancolia
que nos redime, atraca e atenua.
A vida, no dorso do seu tempo,
estupra o nosso sonho e some ao vento,
ovula de seu ventre a nossa voz.
Vida baça, nos convoca e nos redime.
Sublima o tempo, nos salva e nos oprime
boceja e dorme: Hoje é ontem dentro em nós.
Poesia de Marilia Abduani - www.mariliaabduani.blogspot.com
Postado por Amilton Passos - www.amiltonpassos.com
Vagido
sábado, 12 de setembro de 2009
O hálito do vento
enche de frescor a tarde.
A multiplicação das flores,
a dança dos pássaros
atravessam a traqueia do dia.
A flecha do sol
atinge em cheio
os corações ressequidos.
O barro da desesperança
escorre feito um rio
e passa.
Fica apenas
o vagido do amor
ecoando na noite comovida,
quando a tarde cai.
Fica o ganido da emoção.
Fica exposta a poesia em varais
por onde o arco-íris desce.
Ao findar mais um dia,
a natureza silencia
e a vida agradece.
Marilia Abduani
