Música
O som da vida
plantado em acordes.
Toca fundo
a nossa essência.
Solta no ar,
a música atravessa fronteiras,
reabre rios, desfaz amarras,
liberta a dor.
Música...música...
raios de sol
na brancura do dia,
no pranto,no canto,
no encanto que acalma
e faz aflorar o amor.
É o sopro da alma nos olhos do sonho.
É o grito ecoando.
A música é o caminho mais seguro para o não enlouquecer.
Marilia Abduani
Música
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Lamento
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Vento brando
triste cantiga,
saudade nova,
verdade antiga.
Mergulho fundo
bendito vento
sono profundo,
triste lamento.
Tempo sombrio
pálida vida,
sopro sulcado,
voz repartida.
Frágil caminho
ganido atroz
carinho mendigo
amor movediço
flecha veloz.
Vida cigana
laço postiço
compasso demente
amargo feitiço.
Alta tensão
carinho esvaído
seara antiga
calor comovido.
Remorso abstrato
carência aprendiz
comovida tarde
doce cicatriz.
Sonho fecundo
inóspita dor.
vicejantes dias
plena poesia:
verdadeiro amor.
Marilia Abduani

Inverno
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Brancas nuvens,
dia finda.
Tímida noite,
eco e poesia,
inverno ainda.
Cavalo arredio
galope ligeiro.
Mormaço sombrio,
curto pavio
sonho primeiro.
Vagido,esperança,
ausência sulcada.
inerte distância,
vento macio,
verdade travada.
Letárgico tempo
materna esperança.
Arte, movimento,
todo pensamento,
cálida aliança.
Marilia Abduani

Orgulho
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Noite calada,
orgulho aflito.
Palavra trancada,
luz apagada,
temor infinito.
O pranto no encanto,
o enlace no medo,
verdades atadas,
saudades, segredo...
A ausência no quarto,
a cama vazia.
Nas mãos do futuro
tão oco, escuro,
repousa o meu dia.
Saudade latente,
desejo carente:
sua companhia.
Marilia Abduani

Candura
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
O instante eterniza
a mágica realidade que dança
na ventania.
Na candura das horas,
a razão pinta de arco-íris a esperança mais terna,
materna,
eterna.
No limiar do pranto,a mansidão da alma,
a mendicidade de amor.
Nuances de sonhos,de brisas,
silêncios triturados,
maturados
pela letargia do tempo.
Marilia Abduani

Construção
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Com o barro da vida
moldo a minha história.
Lágrimas são tintas,
atam meu desenho
à tela da memória.
Com a cal da poesia
ergo a minha estrada.
Fé é o meu cimento
monto a arquitetura,
só de amor armada.
Com as pedras construo
o edificio interior.
O teto são meus sonhos.
Traço o meu destino:
pedras, cal, cimento e amor.
Marilia Abduani

Ilha
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Pelas janelas do acaso
eu avisto a minha estrada
curvas, desvios, atalhos,
pedras, poeira. Mais nada!
Chuto a pedra : bate e volta
direto no sentimento.
Poeiras? Essas levantam
ao sopro indócil do vento.
Pelas portas do meu sonho
eu revejo a minha história,
mares jamais navegados
no velejar da memória.
Desejos, nuvens bordando
a tela da minha vida.
Arco-íris, sol, estrela,
girassol de luz, perdida.
O arremate no presente
ata o passado ao futuro.
A loucura mora rente,
sarcástica, salta o muro.
Entra em mim, mora comigo,
adormece em minha mão,
cantando o mesmo estribilho:
ilha e mar meu coração.
Marilia Abduani
Para Roberto Menezes de Menezes, com todo o meu carinho de fã incondicional.

Ausência
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Ainda falta um abraço
falta ainda mais um beijo
no resgate da coragem,
na voragem do desejo.
Falta um gesto,uma palavra,
nas entrelinhas do tempo.
O antídoto na agonia,
o cio no pensamento.
Sobra espaço em nossa cama
gestos inúteis, sombrios.
carnes desencontradas,
pranto, canto, calafrio.
Resta o abismo no orvalho
e a saudade tosca e fria.
O corte no esquecimento
na cavidade do dia.
Falta o sêmem da esperança
no orgasmo da poesia.
Marilia Abduani
